sábado, 23 de novembro de 2013

AUDIODESCRIÇÃO DE TIRINHAS DE HQ

Imagem retirada de http://universohq.blogspot.com.br/2006/07/quadrinhos-guarde-com-carinho-o-leitor.html
É inegável a importância do trabalho com tiras de quadrinho na formação do leitor. Muitos são os trabalhos acadêmicos desenvolvidos que defendem seu uso pedagógico e muitas são as possibilidades da abordagem. Mesclando linguagem verbal e não-verbal, numa relação intersemiótica, o texto em questão torna-se rico no trabalho de leitura e compreensão de texto para leitores iniciantes. Isso porque tem como características a própria presença de imagens; o texto verbal geralmente é constituido por frases curtas e de ordem direta, de comunicação objetiva e imediata; a predominância de períodos simples; a narrativa é construída em torno de uma questão central com fatos/problemas bem definidos a serem resolvidos; a concatenação dos momentos narrativos (efabulação) se dá linearmente e, geralmente, há a presença do humor tão atrativo em qualquer idade, sobretudo, aos que estão iniciando sua vida leitora. É importante dizer que isso não significa que é um texto fácil ou de menor valor, ao contrário: trata-se de um texto rico em implícitos textuais, muito atrativo às crianças, com boas situações de narratividade.

Se as tiras de HQ são uma poderosa ferramenta de formação do leitor, como o aluno com deficiência visual pode se valer desse instrumento? No caso de haver um aluno com cegueira em uma turma o trabalho com as tirinhas deve ser abandonado, dada a inerente presença da linguagem visual? Essas perguntas devem ser respondidas de modo veemente: não, não devemos deixar de trabalhar textos imagéticos ou que se valham da linguagem visual no caso de haver alunos com deficiência visual em qualquer turma que seja, porque há possibilidades de trabalhar a linguagem visual por meio de vários instrumentos, entre esses, a audiodescrição. Ao contrário, se desejamos realmente incluir esses alunos no mundo em que vivemos, devemos ensiná-los a "ler" as imagens por intermédio dos outros sentidos, no caso em questão, auditivo. Lembro, inclusive, que a nota técnica nº 21/2012/MEC/SECADI/DPEE assegura às pessoas com deficiência visual o acesso à leitura, disponibilizando o programa Mecdaisy - de fácil interação e com possibilidade de anotação e de impressão em Braille -, desenvolvido pela URFJ, que permite a produção de livros digitais falados e sua reprodução em mídia de áudio, gravada ou sintetizada.

Em outras palavras, para que as crianças com DV possam se beneficiar do trabalho com a estrutura das tiras de HQ, é fundamental que utilizemos a audiodescrição, por exemplo. Convém abrir um parêntese para afirmar que a audiodescrição é um ótimo instrumento para o trabalho com alunos que tenham dislexia. Isto é, não só as pessoas com DV se beneficiam desse instrumento. Pode-se, inclusive, trabalhar em audiodescrição uma tirinha com toda a turma, mesmo os videntes, chamando a atenção para a correspondência entre o que é dito e o que está registrado em imagem. Com isso, estimula-se, nos videntes, a atenção aos detalhes que, pelo fato de a visão apreender globalmente uma cena, muitas vezes passam despercebidos. Uma outra possibilidade é a turma fazer audiodescrições de tiras. Trata-se de uma ótima atividade - além de inclusiva - de compreensão textual, pois, é preciso apreender o texto como um todo para que seja narrado em audiodescrição.

Uma boa abordagem do que vimos afirmando pode ser vista neste link: http://www.blogdaaudiodescricao.com.br/2013/11/tirinhas-de-jornais-como-recurso-pedagogico.html. Nele, além de uma boa síntese da importância das tiras na formação do leitor, é apresentada uma tira em imagem e a audiodescrição da mesma. A autora da atividade dá sugestão de como abordá-la com a turma. Vale a pena conferir!